terça-feira, 7 de junho de 2011

O QUE É ENDOMETRIOSE?

O endometrio é tecido que cobre a parede do útero ao longo do mês e se transforma em menstruação. Quando este tecido aparece fora do corpo uterino é que ocorre a endometriose, uma das principais causas de dores pélvicas e de infertilidade feminina. E que, infelizmente, tem se tornado mais comum em nosso mundo moderno, aonde mulheres mentruam cada vez mais cedo e tem menos filhos.


Outro fator triste desta história é que tem muita mulher sofrendo à toa por uma doença já identificada em 1690! E isso porque as próprias não levam a sério os sintomas ou encontram pela frente médicos que também não o fazem – a cólica é comumente encarada como “coisa de mulher” e não é levada a sério.
Ontem estive, à convite da AstraZeneca, no Hospital Sírio Libanês conversando com os especialistas Dr. João Dias Junior e Dr. Maurício Abraão falando sobre a Endometriose, a importância do diagnóstico precoce e do tratamento correto.

Por isso é importante que a mulher realmente leva a sério seus sintomas e não aceite meias verdades – sei que é muito comum nos sentirmos intimidadas em um consultório médico, afinal, ele sabe mais do que a gente sobre doenças. Mas devemos lembrar que também é função dele nos esclarecer completamente, de maneira que não tenhamos dúvidas sobre o que temos, os tratamentos possíveis e as consequências de nossas opções.

A endometriose é assunto sério sim, não só por, muitas vezes, impedir que uma mulher viva plenamente, mas também porque aumenta o risco do câncer e de doenças auto-imunes.

Os primeiros estudos sobre a endometriose datam da década e sessenta. Em 1997 ela atingia aproximadamente 15% da população feminina, número que pode chegar a 30% atualmente, sendo responsável por 10% das internações ginecológicas.

A doença, causada por fatores genéticos – existem pesquisas que relacionam seu surgimento a uma falha cromossomica que ocasionaria uma permissão do sistema imunológico para sua ocorrência – também é influenciada por fatores ambientais e psicológicos. Apesar de não comprovado, é sabido que o stress da vida moderna pode agravar o problema – minha opinião pessoal é que a mulher, dividida entre suas muitas tarefas, pode, muitas vezes, ignorar os sintomas levando a um diagnóstico tardio. Estudos mostram que, quando o diagnóstico ocorre, a mulher já apresentava a doença há mais de sete anos.

Outro fator relacionado a vida moderna e que influencia diretamente na gravidade da doença está relacionado ao fato de que, hoje, as mulheres menstruam quase que 400 vezes ao longo da vida, enquanto no passado esse número era próximo de 40.

A melhor forma de diagnóstico une os exames clínicos (exame do médico mais diagnóstico laboratorial e exames de imagem, preferencialmente a ultrassonografia transvaginal) a laparoscopia. Infelizmente, na realidade nacional, os exames mais precisos estão longe do alcance da maior parte da população e mesmo para quem possui bons planos de saúde nem sempre é fácil a autorização para realizá-los.

O Brasil, em função das dificuldades citadas, acabou por se tornar pioneiro no diagnóstico sem a necessidade da laparoscopia, tendo sido um dos primeiros a tentar identificar marcadores para a doença e a usar o ultrassom transvaginal e ressonância magnética no diagnóstico. No entanto, esses métodos ainda não são tão efetivos quanto a laparoscopia.

Os cinco sistomas da doença: cólica menstrual severa, dor na relação sexual, sintomas intestinais durante a menstruação, dor para urinar durante a menstruação, dores entre as menstruações e infertilidade. Se você possue todos ou alguns deles é hora de procurar um médico. Não aceite a indicação de remédios que funcionaram para outras mulheres, é sempre importante lembrar que cada caso é um caso.

O tratamento pode se dar de forma clínica, com acompanhamento constante e o uso de remédios e hormonios, como de forma cirúrgica. Segundo o Dr. Maurício, no mundo ideal a mulher sofreria uma única cirugia e então passaria a usar do tratamento com hormonios. No evento em questão ouvimos o depomento de Luana, portadora da doença que apresentou os primeiros sintomas ainda na adolescência e só foi diagnósticada muito mais tarde, que já passou por cinco cirurgias. No seu caso o tratamento com hormônios é muito difícil, o que faz com que a doença retorne após um ano da cirurgia, em média.

Muitas mulheres com a doença chegam a não trabalhar ou a não sair da cama no período menstrual por causa das dores, o que pode também afetá-las psicologicamente – a depressão é comumente associada a doença.

Justamente por se tratar de uma doença relativamente comum e de diagnóstico muitas vezes complicado é que é importante a realização de campanhas de esclarecimento: quanto mais gente souber de sua existência, sintomas e consequências, mais pessoas procurarão por médicos, o diagnóstico acontecerá mais cedo e o tratamento mais efetivo.

A endometriose é hoje apontada como causa de 40% dos casos de infertilidade feminina, já que, além da doença criar aderências e distorções, chegando a obstruções tubárias, a paciente ovula menos vezes, produz menos hormonios que garantem que o endometrio seja mantido, pode apresentar a toxicidade aos espermatozóides, tem alterações na função de celular do sistema imune e na produção de citocinas e anticorpos.

A endometriose chega a reduzir em 50% a chance de uma mulher engravidar, sendo que, aos 35 anos, uma paciente de endometriose tem só 5% de chance de engravidar. Uma laparoscopia bem aplicada pode aumentar em até 30% a chance de uma paciente engravidar.

No caso da doença mais avançada mesmo com um cirurgia adequadamente realizada ela ainda terá somente 33% de chance de engravidar no ano seguinte. Já a a definição do melhor metodo de fertilização leva em conta a fase da doença e os outros fatores relacionados, ressaltando a importância do acompanhamento médico adequado.



Para saber mais sobre o assunto vocês também pode acessar o site do Dr. Maurício no endereço www.endometriose.net e o Portal da Endometriose.

fonte: http://www.mulhersexofragil.com.br/endometriose-sintomas-e-tratamento/

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